devaneios de tinto da casa
O sangue cega, o sangue seca, o sangue suga. Sanguessuga dá sangue que não sangra; só esquece.
A raiz do pensamento são três freiras e um gato. O gato reza todo o dia a um deus por ele inventado. As freiras deitam-se ao sol e miam, espreguiçam-se enquanto recebem festas na barriga.
Acredito que temos astros no lugar do coração; universo e planetas orbitando nas veias.
Tudo o resto são coisas que nos esquecemos de contestar.
Liberta o corpo da roupa,
inventa um hino à brisa sobre a pele.
Se és mulher, troca as calças por saia, esquece as meias, sente o vento fresco por entre as pernas.
Se és homem, lança-te ao mar, deixa que os peixes te toquem a alma, os dedos, o sexo.
Tatuemos no corpo a passagem dos dias.
Escreve os sonhos e as memórias, o nome do teu primeiro amor, desenha a tua rua.
Não esperes o perfeito, acredita no autêntico.
Vive o dia de amanhã como se fosse o último:
abraça um estranho
perde-te na tua cidade
lança um papagaio de papel ao ar
o corpo ao mar
dança
corre
canta
às 16h50 convida a primeira pessoa que te vier à cabeça para um café
conta as estrelas
questiona o silêncio
as cores
aquela história que contam de a terra ser redonda
beija
ama
perdoa
Sulca no rosto tudo aquilo em que acreditas.
As estrelas quando caem não voltam aos céus.