nada diz silêncio como o azul do mar,
ou os meus olhos caiando cidades
ou os meus olhos caiando cidades
com o branco crepuscular da primavera.
o espaço ou o tempo,
ou o momento em que se descobre na vida o sentido inalterado da existência,
a dormência no peito face ao entendimento da inexistência.
nada diz amo-te como a melodia desalinhada de uma guitarra,
o vento ou o corpo, a respiração trocada por um tocar mais profundo,
a pele largada por entre as ondas,
o coração batendo sobre a areia,
os dedos entrelaçados no fundo da terra e os peixes tecendo a alma.
nada diz nada, como um poço
ou o reflexo do céu manchado de infinito,
a espera,
a noite,
a ausência do gesto sobre o rosto,
um grito rasgando as estrelas.
a cadência é a do tempo perdido,
das silhuetas esculpidas no regaço de uma mãe,
uma mãe silêncio,
uma mãe mar,
uma mãe alucinação.
uma mãe momento nos dias de sol
ou esquecida nas sombras do Inverno.
03/ a u t o r e t r a t o v e r m e l h o