dir-se-ia imenso este tempo, feito compasso de espera, na sombra inaudita dos mortos onde só escorre mar e já não há peixes;
todas as coisas redesenham o seu contorno, em trémulos traços transpondo a alma, e mesmo que gritem tenho medo, são ecos que se perdem para lá da escuridão.
o vento, diriam, é sempre mais denso da cintura para baixo, onde prende as pernas na impossibilidade dos passos, e por mais que se corra é em vão esse caminho.
tudo o resto, são brumas, ou miragem, ou estelar húmido nevoeiro: o riso, penetrando a noite, penetrando as estrelas, quebrando os ossos, atravessa a fugidia brancura crepuscular, instalando-se, mortalmente, na negra sombra das árvores.