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Algures no meu prédio, uma espécie de missa brasileira está a decorrer há já duas horas. Cânticos entoados de forma absurdamente desafinada perfuram as paredes e alojam-se no centro da minha sala. Em torno deles, tento acabar um trabalho para entregar amanhã. Quando acordei já era tarde e sobre o tarde mais uma hora me foi imposta. Cheguei atrasada ao dia de hoje e ainda não recuperei. É dia 30 de Março, faz um ano que vim para esta casa. Um ano e 7 horas. Não houve missa brasileira nesse dia, só no seguinte. Nesta casa aconteceram duas mortes, três amantes e um homem tão pequenino que fiz por lhe esquecer o nome, muitas lágrimas, ainda mais riso, pouco siso. Agora quero calma, serenidade e braços mais fortes para bater claras à mão. E porra, que a missa acabe que tenho mesmo que trabalhar!


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nada é para sempre