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foi um vento que se lhe deu . 










o vento .





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era um cão que só via sombras
paris . 2010

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recosto-me e penso: há histórias de tão longe surgindo à tona da água.
suspiro o negro e a morte, desejo um tempo sem tempo para existir, aquele em que acreditava poder ser absolutamente feliz.
é uma causa absurda, a vida: penetra nas entranhas como um vírus, desfaz o corpo, adormece a mente e depois parte, levando o tudo que criou.
por mais que sonhe um pôr-do-sol de fogo e malva, o meu pensamento escurece na perspectiva do amanhecer. não sei se é por querer ou pela forma como se me desenha a vida: linhas tortas, sinuosas, fugidias.
e nos caminhos que se perdem na sombra das árvores, redescubro o único trilho que me leva a casa, o da minha solidão.

é tudo tão noite em cada princípio de dia, e todas as coisas são nevoeiro e barco perdido no alto mar. e eu corro, e grito, e lanço os braços estendidos no ar, como velas, como estacas, como algo que me prenda firmemente à terra.

neste vento passando por entre os cabelos, nas primeiras gotas de chuva penetrando a pele há uma breve sensação de segurança, como se o cheiro a outono e a terra molhada fosse uma mão de mãe sobre o peito, que me acalma o intermitente bater do coração. 
e as minhas lágrimas já não brilham no mortal sol de agosto e a chuva absorve e reconforta a minha dor.

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amor é uma palavra de três letras






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o
u
t
o
n
o


ou tono


o         u          t             o           n                   o

o       o                          o                             o                                    o



o                 o                        o    

o                    o






guardem as noites de agosto numa caixa escondida no sótão do último andar



é o outono que me faz falta

o outono

oo u tono



o meu amor pelo outono e um rolo fotográfico por usar