o final de dia penetra púrpura por entre as copas das árvores,
as folhas estremecem, húmidas, no tocar sibilante do vento.
Das nuvens em manto ergue-se a montanha manchada de branco,
lugar longínquo onde o corpo não chega,
morada ancestral da primitiva penumbra.
O frio crepuscular instala-se sob a pele,
fendilha os frágeis ossos, retalha os músculos.
Na ferida aberta do peito surge sangue morno,
escorre por entre os seios num rasto rubi,
deposita-se no umbigo,
contorna as coxas como a lenta língua do amante
que a casa ainda não voltou.
Espero-te,
nesta ardente melancolia,
nas noites que se repetem entre o abismo profundo
e a ausência de ti.
fendilha os frágeis ossos, retalha os músculos.
Na ferida aberta do peito surge sangue morno,
escorre por entre os seios num rasto rubi,
deposita-se no umbigo,
contorna as coxas como a lenta língua do amante
que a casa ainda não voltou.
Espero-te,
nesta ardente melancolia,
nas noites que se repetem entre o abismo profundo
e a ausência de ti.