vou contar-te uma história: a do teu mundo, coberto de saliva negra, escorrendo, devoluto, sobre os contornos desta enfraquecida primavera tardia.
o corpo masculino ergue-se para o céu; e nas pernas escorre o sangue pútrido da mulher que um dia ousaste ser.
habitas telhados, como numa caverna; o corpo mirrado sobre a fulgurante bravura do sol, a garganta seca ardendo sob a pele outrora elástica.
acenas à sombra cativa do teu anterior sorriso e, do alto de mil telhas, recordas o teu esplendor.

