Digo-to, na certeza mais completa deste dia: a alma nunca se esgota quando olhamos o oceano. Tudo é imenso, profundo, azul. O horizonte não tem fim, perde-se na distância circular do olhar. Respiramos até ao interior do corpo, o sangue feito sal a escorrer pelas veias. Somos marinheiros, gaivotas, peixes. Sonhadores sem vergonha de sonhar. A pele é vento sobre o corpo; escutamos o uivo mais profundo da terra.
Somos iguais perante o mar: não importa se vivemos para morrer ou para sentir a vida; o mar tece as ondas e recebe-nos de igual maneira.
Da próxima vez, esquece o frio e entrega o corpo às vagas: é-se tão mais feliz com a memória esculpida pela água.