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Retrato do lugar a que chamei casa, 
que em sal transforma a pele 
e os recônditos lugares da alma. 
Morada de silêncio, 
de um outro mundo,
jazigo de amores esquecidos, 
de corpos perdidos, 
de navios desfeitos,
do anoitecer carmim,
da densa bruma,
da branca espuma,
do rugir do vento.
Mar de habitar, 
mar de sonhar, 
mar onde das lágrimas nascem peixes, 
mar orla de cidades em fogo, 
mar manto negro velando a noite, 
mar manto plúmbeo velando o teu corpo, 
mar amor, 
mar amar, 
mar saudade, 
mar solidão. 

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Ternura é um beijo pousado sobre a testa e os teus braços no abraço do meu corpo.

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Não importa se do corpo, se da alma, cegueira é cegueira e dormência um modo de ser cúmplice da barbaridade daqueles a que chamámos de outros homens. As terras resvalam, as vidas cessam, a natureza cede e as pessoas morrem; as notícias manipulam, todos são tudo quando, na verdade, são nada. A arma de fogo destrói lado a lado com a arma de pixels e já nem a dor mais sagrada se respeita. Nas areias movediças do tempo fizemos por cravar a nossa marca, mas onde se erguiam castelos resta agora este acre mar de devastação.