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Era uma vez um amor tão vazio que nunca chegou a ser palavra.

Só sombra de poema, uma vez, quando o Inferno ainda estava longe.

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Todas as palavras que foram de amor transformam-se um dia em solidão. E no entanto, não importa que jurem o contrário, não há nada mais só que o amor. É um ciclo demasiado cansativo de proximidade, obsessão, afastamento, abismo. De pessoas que enganam outras pessoas só porque sim. Devíamos apaixonar-nos por uma pedra, por uma sombra, pela cor azul. Devíamos apaixonar-nos por qualquer coisa que não nos fosse semelhante, porque o Homem é mortalmente egoísta. Há quem ame por não saber ficar sozinho. Que em qualquer pessoa encontra o amor eterno, mesmo que lhe cuspa com falsidade. Depois há os que amam para perceberem que não conseguem deixar de ser sós. E esculpem no coração do outro um vazio que há-de ter sempre o mesmo nome.

Desisto desta farsa até que qualquer outro abusador de almas me leve ao engano, através de uma hipócrita história escrita a tinta-veneno. 

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The Pillow Book . Peter Greenaway . 1996

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Entrar na casa, fechar a porta e não ter para onde fugir.