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Dilui-se, lá fora, o mundo em chuva; cá dentro, o tempo escorre lento pelos dedos cansados das minhas mãos. Sei que estou viva porque sinto medo. Isso, uma qualquer indiferença de existir. O homem que habita o meu peito jorra sangue dos olhos, manchando-me de vermelho os pequenos malmequeres da camisa de dormir. Diz-me, a noite é eterna no teu corpo e esqueceste-te de como sorrir. Na brancura demente dos lençóis enterro a alma, o estrépito da razão tem a lenta cadência do teu respirar. Tenho-te a meu lado sobre esta cama-abismo, mas penso num louco; desenho um rosto sem forma, que ainda não comecei a procurar. Se soubesses o sabor da minha carne, percebias que me estendo num caixão aberto, à espera de cair. Levanta as perguntas e o fraco sentido das palavras, o céu é sempre mais escuro no fraco pulsar do meu coração.