não importa quantas moradas são erguidas para acolher
este casco que habito; o mundo inteiro como casa sepulcral do meu suspiro ou a
passagem do ar interdita pelo homem morto que carrego na garganta.
as pétalas das rosas negras estalam secas por debaixo
dos pés descalços. tenho frio nos ossos e este agasalho que não me chega, um espelho
sem reflexo e o peso do teu corpo esculpido na carne.
ignoras que o tempo não cura a saudade, essa cruel história
que inventam para atenuar a dor dos mais fracos de condição. as paredes da casa
inexistente resvalam à minha passagem, e eu uivo a um céu sem lua na esperança
que o teu silêncio se reencontre com o meu.