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A tua ausência escrita com todas as palavras do mundo.
Sei o que dizem sobre a paixão, que chega pela Primavera e parte aos primeiros sinais de Inverno. Não nos podemos queixar, apesar de tudo: celebramos o novo ano e a melancolia, as noites de luz azul e o tempo escorrendo lento nas palmas das mãos. O melhor fica sempre para o fim. Ou para depois. 
Descrevo-te aquele momento em que temos saudades do que nunca aconteceu, quando o sonho torna a alma mais pesada; e eu, tão perto do abismo, chego a acreditar que quando fecho os olhos e te sinto tu estás mesmo aqui. 
Digo-te a urgência do teu corpo, a necessidade absoluta de te sentir em mim. Há silêncio e a falta que me fazes, como duas forças que me abrandam mortalmente o bater do coração. Aqui, onde o corpo se enterra na areia, jaz o meu sorriso quebrado por incontáveis pedaços de histórias esquecidas. Aqui, onde somos mais do que palavra, abdico da vida eterna só para poder sentir, uma vez mais, o calor da tua respiração.