Aqui, tão longe de ti, lancei-me ao mar. Onde as vagas tocam o meu corpo acredito sentir a força das tuas mãos, o comprimento dos teus dedos, inteiros, em mim. No arrepio da pele recordo o beijo que nela largaste, o sabor ainda doce dos teus lábios junto aos meus. Estaria tão perto de te amar se me permitisse entregar a essa loucura: viagens sem destino, cartas escritas e corpos com tempo de se sentir; o respirar morno em sincronia com o meu. Nesta noite de céu sem estrelas faço uma autópsia da saudade: três navios de espelhos* e um vulto que não chega.