dentro do corpo um precipício,
as entranhas devoradas uma a
uma por um monstro igualmente desprovido de sangue.
a língua mata quem se chega
perto,
desfaz ossos e estruturas
várias, mutilações de sonhos e suposições.
afastas-te da criatura que
criaste como se não a reconhecesses;
quem poderia imaginar que a
vivência confinada a uma caixa secaria das minhas veias qualquer resquício de
humanidade?
ainda impregnada com o tanto
que me cuspiste, ergo-me sobre a tua carcaça.
serás sempre profundamente
só, morrerás sem tecto, coberto de palavras ocas,
apregoando falsos amores e
outras formas de loucura.
o ódio é sempre maior ao
anoitecer,
reservo-o a ti, numa
bandeja coberta de esperma pútrido,
uma lembrança permanente do
homem que nunca soubeste ser.
caminho como uma casa em chamas, flamejante na tua memória.
desprezo-te como a um cão
morto, moribundo na berma da estrada.