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Dois homens amam-se por cima do teu corpo.
A tua pele é o lençol sobre o qual depositam a tessitura dos ossos
e eles carne, sexo e desejo suam e gemem rente a ti.
Sentes lábios na continuação da húmida língua,
os teus dedos involuntariamente penetrados no interior das suas bocas
e um imenso ânus exposto, preenchendo a abrangência do olhar.
O seu suor escorre pelo teu peito a descoberto,
enquanto o teu sexo, coberto de morna saliva, lhes prolonga o prazer.
Porquê o ar tão assustado? E essas lágrimas caindo pelo rosto?
Não és menos homem por servires de objecto de prazer a outros homens.
Recorda-te como é belo o desejo:
tão profundamente humano, humilde e cruel.
Larga a máscara e cede a carne aos outros,
a profundeza das entranhas, a textura do epitélio, o sabor acre ocupando a garganta.
A tua vida podia ser só isto, a loucura roçando a pele por fora
e a paixão transgredindo o corpo por dentro,
uso pelo uso, um crédito de eterno prazer.
Pensa nisso, talvez servir de leito erótico passivo
te distraia da conquista provisória de mulheres aleatórias.