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O delírio aproxima-te do fim. Sabes tão bem evitar a queda da ácida chuva, que com a mesma destreza te separas do bater do coração. Evitas os sonhos, os medos, o amor e, por subtracção de sensações, a própria vida. Reconhecerás o reflexo difuso do teu sorriso, as mãos manchadas de terra, os olhos cegos pelo sol. Entregas o que resta do corpo ao mortal espírito da memória. Não sofras mais, nem esperes a secura dos rios; tão pouco de nós resiste ao amanhecer. Levanta as pálpebras e o ânimo, para lá da densidade do corpo, o mundo espera por ti.