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as coisas-abismo
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tenho uma aproximação equidistante às coisas que me rodeiam: eu avanço até metade, elas avançam a metade restante e, assim, estabelecemos uma relação estável e equilibrada. 


mas, depois, há as coisas que avançam abruptamente na minha direcção e me esmagam, se entranham no meu corpo até aos ossos e me esmagam, instalando-se cada vez mais profundamente na génese do meu ser, até me inebriarem os sentidos e aniquilarem a própria razão: são as coisas-abismo...imagens, músicas, filmes, cheiros, momentos, pessoas até...fazem-me recordar que o ser humano foi feito para sentir, para fechar os olhos na solidão da sua existência, e sentir a força do tempo e do espaço que o rodeia. das coisas belas, das coisas negras, das coisas mortais. 









Herberto Helder, Poemacto II  
Minha Cabeça Estremece  
"Os Poetas, Entre Nós e as Palavras", Columbia, 1997