o tempo esquecido do lugar das outrora coisas,
da outrora maresia,
ergue-se na montanha cálida.
Suspenso ao longe, o nevoeiro avança lentíssimo,
toca o contorno das árvores como um terno amante,
no fulgor virgem onde gotas de orvalho cristalizam.
no fulgor virgem onde gotas de orvalho cristalizam.
A chuva inquieta do Inverno escorrega na pele, reveste as clareiras.
Há vento soprando nas gargantas incendiadas,
o carmim das folhas últimas pairando,
estremecendo no supremo silêncio da cidade nunca erguida.
E eu sentada na fímbria do futuro poema sinto
a imensa calma, como um imenso ofício,
suspiro resplandecente no interior do peito fulminado:
morada onde primitivos espinhos quebram.
Onde as feridas,
antiquíssimas,
saram.