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O mar também se incendeia
e do sal se faz cinza e das ondas sepulcro.
A réquia ecoa na noite plúmbea como grito antigo,
como suspiro primacial dos seres agora espectrais,
demoradamente sombrios.
Tento dizer-te que me acomodei à espera,
que o coração já não se inflama,
que a paixão existe apenas em horas de
emprestada ternura.

As chamas dançam na garganta do crepúsculo,
gotas de fel cristalizam à tona da água,
morrem os peixes, as mulheres choram,
há devastação celeste reflectida.
Tento dizer-te que um dia fui mãe,
que já houve corpo na morada do meu corpo,
que também eu me incendiei e agora
madrasta me entrego ao retruso lugar da
minha solidão.