636

Sento-me na orla dos teus braços,
no lugar que a memória cravou dentro de mim,
abismo a que me entrego em noites que se erguem densas:
de inesperado frio,
de brutal saudade.
Há chamas carmim nas cidades que reluzem no horizonte,
tudo arde,
das paisagens ao meu peito,
tudo se extingue,
do teu abraço à minha crença no amor.
Recolho-me para onde não fere a mágoa,
ergo-te um monumento com o meu coração cansado,
tão cansado de esperar pelo dia em que em todas as sombras
não mais surja o teu vulto.