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Tenho os dedos amarelos de segurar cigarros que não deviam ser meus. Fumo para esquecer o silêncio, abdico do pensamento em troca de uma nuvem espessa perfurando os lábios mascarados de vermelho. 
O gotejar do tédio instala-se nas fissuras da pele e eu sinto que o meu corpo de aparentes 15 anos carrega, no mínimo, 100.
Como é bela, a puta da ironia da vida.