155

balt azar coberto de bo lor


ascendeu das sombras como um sorriso. Baltazar exalava o odor das coisas sépia sobre um fundo negro e escorria,
num fumo espesso de três horas e trinta e nove minutos escorria
um fá sustenido numa colcheia coberta de suor, 
perdida num árido deserto outonal.
esbraceja Baltazar
e o corpo cede seco, desfaz-se em pó o corpo seco e estala debaixo dos pés descalços.
na objectiva da máquina forma-se um vulto a contra-luz.
dispara a passagem subliminar do vulto que se perpetua desfocado num quadrado a preto e branco.
esta cidade é de sombras e Baltazar é pó.
uma sede muito sólida habita-me o fundo da garganta
uma garra sacode-me os cabelos e o reflexo de um qualquer corpo surge no lugar do meu.
no fundo da rua Baltazar toma a forma das pedras da calçada
ou as pedras da calçada tomam a forma de Baltazar.
nas reentrâncias do caminho amanhece esta noite tardia e o vão da melancolia enche-se de bolor.