Otília Reis desenhava o contorno das coisas, através da fina lâmina do seu lápis de cor sépia.
Elevava a mão à altura do olhar e da esponjosa pendência dos dedos vertia a indefinida composição dos volumes.
Diziam que nada via, mas tinham por certo que não era cega: aos olhos de Otília Reis tinha-se acomodado uma espessa camada de névoa que, perpetuada pela pressão do interior das pálpebras, a impedia de ver para além de um horizonte marfim.
O seu corpo estendia-se paralelamente ao chão, a partir da zona da cintura; na deformação dos ossos surgia um quarto minguante de lua e a sua direcção era a da ponta dos dedos dos pés.