Dei uma volta pela rua das coisas sem nexo:
o coração acelerado,
imagens difundidas em palavras e trapezistas sem rede.
mercúrio,
alcatrão,
algodão doce
e um rasto de saliva sobre o corpo nu
e o corpo nu pendendo de uma janela sem casa; só janela suspensa no ar.
tatuei os ossos com mapas que nunca vou ler
e passei pela garganta o fogo do silêncio e das histórias não narradas.
sou velha desdentada e cão carente,
plataforma flutuante no púrpura da madrugada.
e ardi na rua sem nexo, lado a lado com putas e cegos e lixo.
sobrou cinza.
de todos sobrou cinza e só a vida nos distingue a revelação das coisas inexplicadas.