Escrevo-te como se ainda te
sentisse nas palavras,
boca-de-mel,
do fio ainda morno de saliva,
escorrendo do contorno das coxas,
ao sexo pulsante,
fulgurando o interior da carne.
A língua avança lenta sobre a pele,
tece a sua textura poro a
poro, vibra e estremece.
O corpo torna-se espesso,
profundo,
imenso,
derrete ao toque com
suor e suspiro.
No instante em que
a carne cede ao incêndio,
abro-me inteira à chama.
Já não há distância entre o que arde
e o que queima,
juntos nos fazemos cinza.
Diluo-me no rasto do teu corpo,
no interior que ainda lateja,
no sabor que a garganta guarda.