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05h11m


É assustadora, a escrita. E eu caminho pela palavra, num labirinto em loop - sem saber se estou a descrever o que fiz, o que estou a fazer, o que vou fazer, ou o que poderia ter feito. A luz e as trevas confundem-se, a mentira do poema e a verdade da vida. A escrita antecipa, profetiza, altera, anula, amplifica. 

Escrevo para ser leve. Mas às vezes o peso do que escrevo volta para mim. E eu já não sei se o que sou é a minha essência, ou a materialização da metáfora. Porque escrevo os medos e os transfiro para mim. Porque escrevo sombra, e a sombra tapa o sol. 

Devia escrever sobre a ternura. Sobre não temer a vulnerabilidade. A suspensão. A paixão. O amor. Devia escrever sobre mergulhar de cabeça e nadar, mesmo não vendo o fundo. 

Devia. 

Mas os demónios têm boca e chamam por mim.