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O cansaço deposita-se no ténue limiar da loucura, a rotina repetida mil vezes, no passar lento dos dias. Cada hora prolongada ao longo de vários anos e eu mais velha extinguindo-me nos relógios de pulso das pessoas que por mim passam. Às vezes acordo com a alma antiga, outras como se só agora tivesse acabado de nascer. À margem do caderno envelhecido, os sonhos anotados dissipam-se na espessura da tinta. Recorro às palavras para enaltecer a memória, como se cada coisa vivida, interior ou exteriormente, se pudesse transformar em algo maior. As letras, cada vez mais imperceptíveis, evidenciam ou anulam uma qualquer forma de verdade. Saber qual dos casos se adequa implicaria passar todas as coisas pelo tenaz filtro do pensamento; e pensar, escrutinar com a razão, é tão absurdamente longínquo da total sinceridade do sentimento. Sei que as palavras são sempre as mesmas: que há mar, amar, amor, morte e aquela permanente inebriação chamada saudade. Às vezes, raramente, há rio e riso, fé reposta na unidade universal. 
Não há início nem fim, apenas meio neste ensaio continuamente renovado.