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É tarde, mas o sono não chega: tenho um vazio no peito, um buraco imenso com o teu nome no fundo. Tudo à minha volta é escuro, feio, pesa demasiado sobre os meus ombros frágeis. No interior do meu corpo, uma ferida aberta sangra a saudade que te tenho, enquanto nos ossos uma lâmina romba crava cada metro que te separa de mim. 73 600 sulcos. Esta distância absurda sufoca-me, desespera-me, entristece-me. E de nada me serve ter o mar inteiro, um céu de nevoeiro, folhas caídas nas estradas e o cheiro dos eucaliptos no ar; de nada me serve ter sonhos, beijos à espera dos teus lábios, braços feitos de carinho para te abraçar; de nada me serve o próprio corpo, a própria alma, o sorriso e o brilho nos olhos se não for para te dizer quero a vida inteira contigo a meu lado, meu perfeito e imenso amor.

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