Podemos caminhar sempre na direcção das estrelas
e nunca chegar ao céu.
Diluir nas entranhas a ácida esperança de alvura e calma,
de azul petróleo,
de vazio.
Ver a imagem para lá do reflexo,
estender os braços,
não cair.
Até pode ser manhã,
a tardia aurora de cada início de noite,
pode ser de fogo a chuva
e de paz os Homens.
Nada se opõe à tenacidade absorta do pensamento.
Enterram-se os pés na lama,
os corpos nas abadias,
o vidro na densa musculatura dos vingados.
Entre nós e o silêncio
há água estelar,
cristal tingindo de púrpura,
madrugadas.