Dias que são pó na alvura da madrugada,
como ferro oxidado na garganta podre dos incertos de destino.
Sonhamos para enganar a morte,
para que ela não saiba se a dormência da alma é o fim,
alguma espécie de vida,
ou solidão.
Talvez o afastamento do mundo seja uma negra dádiva
e a nostalgia permanente a força necessária ao bater do coração.
Talvez a reserva na entrega total nos proteja
perante a ameaça de um qualquer apocalipse interior.
Sucumbo à minha natureza,
tanto quanto ao desejo de ser feliz:
pesa-me nos ossos, esta bipolaridade do que quero de mim.
Acomodo-me uma vez mais à imensidão do abismo.
Amo com a mesma intensidade com que desejo ficar só.