Penso em paisagem, esse esgar tantas vezes brutal de sobreposição de sensações. Olho o mar, exponho a alma às ondas e espero: se ao menos os peixes me escutassem o pensamento e me ensinassem porque não devo morrer.
Atrás de mim, um poço de água fétida dá de beber a quem passa. Há muito que deixei de observar as pessoas, de lhes querer saber o nome, os sonhos, a morada. No lugar dos olhos transportam vazio, no lugar da boca uma doença sem cura.
Talvez a esperança tenha caído com o último sol e o negro da alba seja mais denso no interior do meu corpo usado. Talvez seja demasiado lento o tempo, demasiado tarde, mortalmente arrastado sobre a decomposição dos dias.
Levanto-me para me deitar: duvido que haja hoje, sequer agora, muito menos amanhã.