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Dedico o corpo ao mortal espírito da carne. Uma e outra mão lavam-me a pele, carregando na ponta dos dedos a viscosidade das minhas entranhas. Sou inamável, percebo-o. Não cabe mais em mim o sonho de um amor perfeito, de histórias leves e finais felizes. De onde venho não existe para sempre nem, tão pouco, amanhã. Na certeza do retorno a mim própria ergo um muro intransponível. Há uma serenidade maior nos gestos de quem se sabe, à semelhança do que sou, sombria.
Bebo cálices de vinho na penumbra de salas manchadas de vermelho fumo.
Aguardo a passagem de um novo cargueiro de almas, que inflame e destrua o que resta de mim.