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Há pessoas que ficam atravessadas na garganta, como espinhos, ou como memórias difíceis de esquecer. Pessoas que, mesmo na certeza de já não trazerem nada de bom, permanecem no interior do olhar. Recordam-se coisas vividas, outras que se sonharam poder vir a existir; até as pessoas dentro da garganta não serem mais do que cadáveres, pesados vultos, uma manifestação de solidão e dor.