Onde o meu corpo desistiu do teu ergui um altar. Ainda
julguei possível adiar o pensamento e a vontade de te gritar larga-me!, enquanto prendia as tuas mãos
com mais força junto a mim. Esgotei todas as formas de sentir: o amor torna-me
fraca, a paixão enlouquece-me, o desejo faz-me dizer que sim mais vezes do que
as que deveriam ser permitidas a uma mulher. Saio à rua com uma falsa confiança
que atrai estranhos para perto de mim. Perguntam-me quem sou, invento uma
resposta diferente de todas as vezes. Quando o rio toca o mar sonho com um
marinheiro que nunca conhecerei. E uma casa numa ilha sem nome, sem gente, sem
nada. Acordo todas as manhãs na esperança de que chova: tenho lágrimas presas aos
olhos, à espera de cair.