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Dissipei-me ao longe no cais como um barco atracado que nunca partiu e se perdeu por entre o nevoeiro.
Dissipei-me na noite que me enche a pele de orvalho e os dedos de um tremor hesitante, um perder de forças vertiginoso que me seca o sangue.
Desfiz-me em frente ao espelho deixado algures entre o corredor de uma grande casa abandonada e o contínuo crepuscular de reflexos sobre o rio.

O meu barco não partiu.

E eu gritei, gritei, gritei, gritei...
e tu não ouviste.

Tivesses sabido escutar-me nas palavras que te escrevia e poderia não ter sido tarde nem hoje, nem nunca.