O mercúrio da noite tinge os ossos de uma certeza antiga: tem
proximidade de asfixia,
um desdém empoeirado empoleirando-se no contorno das coisas, o
peso da penumbra apoderando-se da memória como
lama nas poças do Outono, como
asco na voz das feras, como
a mentira e a cobardia no suor dos homens que esta cama acolheu.
Sentir-se-á um dia um perfume que não o de
sémen pútrido semeado nas paredes da casa,
prímulas e gerberas, cerejeiras e frésias, fé ou
crença inabalável, em que algo maior do que gemido poderá
despontar das pessoas.