659

Escreve-me
e da palavra faz imagem do teu silenciado gemido,
da pele salgada reflectindo a alvura da noite à
cadência do corpo por entre os dedos cerrados.

Escreve-me
e do desejo faz delírio e do delírio
crença em algo maior,
como se o suor e a seiva fossem
a pedra basilar assente
no fundo do abismo que nos detém.