Habitar-te-ia de forma una,
como palavra num poema a que não faltou a tinta,
abrir-te-ia o peito com uma doçura de eternidade
e no seu interior plantaria prímulas e cerejeiras,
um campo imenso onde as trevas jamais se abateriam.
Seríamos paz e sorriso,
cumplicidade e ternura,
seríamos corpo demoradamente esculpido nas noites húmidas,
amanhecer sereno de sol e salsugem.
Dos braços fiz casa para te receber
e no coração escrevi o teu nome a medo e esperança.
Enquanto o tempo nos separa existe uma baía fria
onde me ergo e te aguardo,
até que as palavras sejam só coisa dita
e a tua existência memória.