A noite, com os seus longos dedos de fel, toca-me o corpo inebriado sobre a cama. De pele nua e pernas entreabertas, humedeço os lábios com a ponta da língua. Assim, exposta à invisível presença dos que por aqui passaram, desejo parar o tempo, esquecer o nome dos homens, limpar o fundo da alma e recomeçar; fazendo de conta que o amor é possível, que a esperança me habita e a solidão não me convém.