Meu amor, é tarde
a escuridão deposita-se à tona do corpo
como gotas de orvalho nas folhas caídas.
Beijo-te a pele,
seda marcada pela húmida transparência
da breve saliva.
Da alma aos ossos impregnei-me de ti,
o teu nome asfixiado na garganta desgastada.
Sobre os lábios o sabor a sal do teu suor,
o quente pulsar dos músculos,
o odor do homem.
Escrevo-te de cor
desta morada de saudade que é a minha cama vazia,
onde enterro sonhos,
o corpo só
e a tua memória longínqua.