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Do corpo mudo escorre 
o ar liquefeito das salinas,
pendem lágrimas gastas do olhar cansado
 e um touro enraivecido aloja-se no peito.
Sobre a língua a palavra proibida aproxima-me 
da loucura,
preparo a bagagem para a viagem última,
o caderno demasiado velho e 
a caneta sem tinta.
O tempo transforma-se em espera,
a espera em saudade
e da saudade pende o pranto deste imenso vazio.
Mesmo que tudo em redor o negue,
entrego o que sobra à vã esperança de um
artifício maior.