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Termino este ano a querer correr, correr muito, lançar-me num voo cego para lá das ondas, para lá do mar. A branda brisa não me basta, preciso de alguma coisa autêntica, visceral.
As listas deixaram de fazer sentido. O futuro, enquanto plano traçado, também. Tenho aprendido a viver cada dia, a respirar profundamente, a deixar acontecer. Ainda assim, demasiados projectos continuam parados, tarefas pendentes e continuamente adiadas, obrigações esquecidas. Penso que o novo ano é a altura de levar as coisas até ao fim, uma vez mais.
Tenho o meu espaço só meu, a minha casa que tanto adoro e sei de cor por ter tocado cada ferida, cada fenda, cada falha. A minha casa que tudo também sabe de mim, da intimidade partilhada, à intimidade esquecida, do desejo, da falsa proximidade, da ilusão, dos risos, das lágrimas, dos jantares, das conversas tardias, dos amigos, dos amantes, de todos os sonhos, de todos os medos, de tudo o que sou.

E é de mim para mim que começo este novo ano, com uma renovada sensação de liberdade, a querer ser mais, a quer ser maior, a querer ser melhor. Acima de tudo, a querer terminar todas as coisas iniciadas, para que possa continuar a minha viagem num outro lugar.

casamar