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Transborda.
Desfaço-me na praia como onda usada,
onda velha moribunda na areia molhada.
Resseca.
Mercúrio inflama o fundo da garganta,
remédio mortal de cura de insónias.
Transparece.
Um morto flutua nas imundas
águas paradas.

Guardei o sonho no lado de dentro de uma janela fechada.
No parapeito de pedra branca,
um colibri assiste ao sono eterno da minha alma,
o pôr-do-sol inflama a sujidade dos vidros velhos,
as fissuras cedem,
o vidro quebra.
Sinto, ao longe, um bater de asas ecoar no vazio do quarto,
o colibri entrou.
O seu voo enche o espaço de uma aragem há muito negada,
ar fresco toca-me a pele da face,
o pássaro pousa sobre o meu peito.
Respiro.
Ele não canta. Eu não choro.
Abro os olhos.
Olha-me.