há muito que não durmo,
a pele estende-se baça sobre o corpo, translúcida na sobreposição das veias.
cravo os dedos por entre as costelas, sentido o seu contorno uma a uma: sou ossos, braços e pernas escanzeladas, cintura desaparecida em quaisquer duas mãos que me agarrem.
perdi a noção do tempo; há quem diga que tenho que projectar uma casa, o próprio mundo, mas perdi a força.
dói-me o corpo quando caminho, quebram-se os pulsos no passar desta folha.
e o frio que não passa, mirra o pouco que resta de mim.