676

Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões 
da madeira fria. Foste uma faca cravada na minha 
vida secreta, agora és espuma ou lodo no fundo 
da memória. E como estrelas 
duplas consanguíneas, luzimos de um para o outro nas
trevas, entre um abraço sem corpo e as cinzas
da tua garganta árida.  

sobre Photomaton & Vox, Herberto Helder