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Tenho a mente dormente de ilusões, de tentações,
Encadeadas espirais de frustrações,
Abanões opacos de realidades translúcidas
Que sinto na pele,
Que sinto nos ossos,
Que sinto nos músculos e me dão cãibras de mim
E arrasto os dedos e tiro o pó a mim
E arrasto os dedos e tiro a alma a mim
E arrasto os dedos e deixo cair os dedos
Porque nem os dedos me servem para poder fugir de mim

Toco as cordas do pensamento
Na esperança de ouvir uma outra melodia
Mas a música é sempre a mesma
E o tom é sempre o mesmo
E a letra, invariavelmente,
É a da minha melancolia.

Hoje dei um passo em frente
E abri a janela de par em par
Mas no ar que inspirei
Encontrei apenas um sufoco
Um espesso e mudo sufoco de ar negro
Que por mais que tente não consegui ainda expirar

E até podia viver assim
Presa em divagações de final de dia
Enquanto a corda no pescoço aperta
E a esperança se perde numa luz fugidia
E até podia viver assim
sem agarrar nunca a areia que me passa por entre os dedos
Ou então agarra-la com tanta força
para que me não levasse nunca os medos
E até podia viver assim
Na sombra da sombra do meu próprio corpo
Escondida algures nos becos de mim própria
entre o absurdo e o absorto