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Duas garrafas de vinho esvaziadas ao final da tarde: tristezas e angústias trocadas por contornos de corpos nus. Entregam-se os amantes ao lado de fora do copo marcado pelo vermelho do baton, e no pescoço um rasto de saliva e no peito rasgado lábios cravados que não lhe pertencem.
Penetrações circulares de orgásmicas revelações de prazer momentâneo: não há nome, nem rosto, há suores escorridos de corpos unidos por cheiros e sabores comuns, gritos abafados contra o branco do lençol.
Duas garrafas de vinho mais tarde apanham a roupa espalhada pelo chão, no absoluto silêncio das acções ocasionais. Do lado de fora do quarto de hotel seguem rumos diferentes, esquecendo-se que foram amantes para de novo serem desconhecidos.
Até amanhã. Até nova garrafa de vinho.