Hoje, pela primeira vez, sinto esta Lisboa como minha e não como o prolongamento de uma ilusão. E hoje, como nas coisas que se descobrem autênticas naquilo que se conhece, ou julgava conhecer, desenho de olhos fechados os seus contornos sobre um pedaço de papel.
Hoje, pela primeira vez, reencontro em mim a calma que julgava há muito perdida. Envolvo-me nesta imensa tranquilidade , hoje, pela primeira vez. E hoje, pela primeira vez, sinto a sublime expressão das paisagens, das cores, do frio que me gela as mãos e me faz tremer o corpo. Hoje, pela primeira vez, sinto o calor desta cidade de Outono, de chuva,de nuvens cada vez mais carregadas. Por entre elas, brilha o primeiro sol deste final de ano.
Redescubro a minha identidade nas folhas que esvoaçam: as das árvores, as do caderno em que escrevo.
Hoje, pela primeira vez.