amor, que só existe vazio. e este abismo que escavámos no tempo. já não somos reflexo e corpo que se completa, nem frase que se acaba ou sonho que se inicia. somos nada. passado, talvez. memórias de um amor, o primeiro amor, meu amor para sempre. e na areia sacudida ficam silêncios, e na praia que nos acolheu a passagem dos anos ficam palavras cravadas na areia que o mar levou. fica o vazio das tuas mãos na minhas e o meu corpo, cansado de lutar. é como uma morte lenta, uma morte demasiado lenta que me transforma em nevoeiro. e nós tão longe um do outro. o teu caminho foi o da direcção do vento e no teu planar sossegado ignoras o quanto te desconheces. eu sigo o caminho dos tufões, que é também de lágrimas e de medo. eu sei que não entendes, mas para mim passar pela vida é aceitar a descoberta, é querer saber o que está para lá da pele, para lá dos ossos, para lá do corpo. é impossível acreditar no amor entre um voo solitário e o bater de asas em bando. e por mais que nos queira abraçados no vislumbre de pôr-do-sol, não há traçado que intersecte a divergência das nossas vidas.